| Mário Corso em ação |
Se você descobrisse que a morte não ameaça mais a sua existência; que você será eternamente jovem bonito; e que as doenças fazem parte do passado - ficaria imensamente feliz? A vida eterna é uma benção ou uma maldição?
Nosso convidado do Cineterapia especial de Halloween tem a resposta para essas perguntas na ponta da língua: ele odiaria a eternidade. Para Mario Corso, nada de jovialidade ad infinitum, nada de poderes fantásticos, nada de suculentas refeições regadas a sangue humano. O psicanalista declinaria de tudo isso sem hesitar - para ele a vida eterna seria insuportável!: “Como eu poderia viver tantos anos acompanhado de mim mesmo? Impossível!”.
Na 16º edição - que encerrou os trabalhos do Cineterapia em 2011 -, Mario Corso discutiu com o público a fascinação atemporal que a humanidade mantém pelos vampiros. Segundo o especialista em monstros, cada geração estabelece uma relação com seu ícone, e determina quais características serão mantidas do padrão há muito definido. Se os vampiros que povoaram o Cine eram tão bonitos quanto Brad Bitt e Tom Cuise (Louis e Lestat), seu precursor era o medonho Nosferatu; se a eternidade daqueles produzia questionamentos morais, o novíssimo Crepúsculo apresenta seus monstros ligados a valores do passados.
O que permanece, sempre, é a figura da eternidade — que só é possível pelo sacrifício da vida alheia. Como nos mostrou Mario Corso, o vampiro é a imagem indesejada que o ser humano tem de si. Talvez nosso lado infantil: que se julga invencível, mas que depende desesperadamente do outro para permanecer vivo.
Com essa elegante apresentação o Cineterapia chegou ao seu segundo ano, com a participação de mais de mil espectadores que passaram pelas poltronas do Cinebacários, e com a certeza que teremos novos convidados e novos clássicos no cardápio do ano que vem.
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É Acompanhante Terapêutico, Filósofo e Especialista em Psicologia Clínica.
Twitter: @betoazambuja
Email: roberto_azambuja@hotmail.com
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