Fabrício Carpinejar
"Bom dia!
Conheci seu trabalho através da minha namorada Sílvia, ela sempre foi sua fã e sempre se identificou muito com as coisas que você escreve, desde então acompanho alguns de seus pensamentos.
Pelo fato dela se identificar com o que você diz que vim aqui te pedir ‘ajuda’.
O nome da minha namorada é Sílvia, começamos a namorar em dezembro de 2010 e quatro meses depois terminamos, na verdade eu terminei, pois estávamos com muitas briguinhas, e coisinhas bestas que estavam desgastando nosso namoro. Após o término, fiquei com uma menina da minha faculdade com quem me relacionei 2 meses. Essa menina já tinha sido motivo de brigas entre eu e a Sílvia.
Nesses dois meses eu senti falta da Sílvia, e resolvi voltar com ela, conversamos e voltamos, no dia 6 de julho desse ano. Porém, as sombras do passado ainda rondam nossos dias.
Eu não trai a Sílvia, mas terminei, fiquei com outra e voltei. Eu errei, assumo isso, é indiscutível. Mas o meu sentimento agora, é diferente de tudo o que já senti, a cada dia me apaixono mais pela Sílvia, um amor que nunca senti antes.
Ela também gosta muito de mim, mas tem muito medo de eu ir embora de novo, de sentir atração por outra e coisas do tipo. Eu falo que isso não se repetirá, que esse erro foi aprendizado e que agora as coisas são diferentes e que vou provar pra ela que tudo mudou, não vou ficar falando, nem prometendo nada, só vou agir e mostrar a mudança, e que tudo isso vem com o tempo.
O problema é que a outra (com quem eu nem falo mais) fica postando coisas relacionadas a mim no twitter, e isso incomoda muito a Sílvia e a mim também, pois minha ligação agora é só com a Sílvia, em mim eu já apaguei todo o passado, mas pra Sílvia isso está bem vivo, e é grande motivo de tormento pra ela.
Com a Sílvia eu descobri o amor, não o amor de filho para pai, ou o amor familiar, mas o amor de homem para mulher, companheira, amiga, namorada!
No que você puder me ajudar, serei grato!
Parabéns pelo seu trabalho!
Obrigado.
abraço
Guilherme"
Querido
Tudo bem?
Você ficou com uma mulher que a sua namorada já tinha ciúme. Naquele momento, aposto que defendeu a tese de que não era nada, de que ela estava fantasiando, enxergando coisas, fez com que sua companhia se sentisse louca.
Logo depois da separação, sem esfriar o corpo, passa a sair com o pivô da briga. É óbvio que Silvia pensará que tinha razão e fundamento. Destruiu qualquer argumento. Não se pode dormir com o inimigo imaginário - uma regra básica da ética amorosa.
Não vale a pena alegar que não estavam juntos. É uma defesa frágil: traiu a confiança. O repentino flerte ou parece represália ou confissão. Nenhuma das duas hipóteses é agradável.
Sílvia confia no seguinte cenário:
1) As briguinhas e coisinhas bestas representavam o interesse pela colega de faculdade.
2) Você terminou para namorar a colega de faculdade, e não denunciar que estava traindo.
3) Ficou dois meses com a colega e se deu conta da burrada.
4) Quis reatar a história com a Sílvia, totalmente arrependido.
5) A colega de faculdade sabe de tudo, e vai infernizar sua vida de casal por um bom tempo. É uma chantagem pela mentira do início.
Não tem mais o que chiar. O contexto exige o sacrifício do bezerro de ouro. Uma reação drástica. Não há como apenas agir em detrimento das promessas.
Homem gosta de deixar janela aberta, não fechar portas, preservar antigos relacionamentos em caso de necessidade.
A diplomacia não funcionará, toda hipótese paliativa não tem sentido. Não abafará o ciúme com o tempo e a gentileza. Não fugirá da briga mudando de assunto.
O sacrifício do bezerro de ouro é falar publicamente no Twitter e no Facebook de que rejeita as atitudes da colega. É se responsabilizar pelo caminho adotado, bloquear as outras vias da encruzilhada, rezar a exclusividade emocional.
Se não criticar a ex, expor por completo o ressentimento com a perseguição, não avançará na relação com Sílvia e permitirá a confirmação das insinuações e suspeitas. Terá que gerar uma prova indiscutível de ruptura do passado, um corte de laço. Cumpre decretar o fim de segredos e a eclosão de uma cumplicidade mais duradoura.
É o momento de se humilhar para reaver a humildade.
O dízimo do amor é o orgulho.
Abraço
Fabro
Fabrício Carpinejar